quinta-feira, 8 de outubro de 2015

DOM MARCOS BARBOSA (1915-1997) - (Serie 71, 35°)


Não podia deixar de prestar minha homenagem a Dom Marcos Barboza, neste ano do seu primeiro centenário de nascimento.
A primeira obra que conheci de Dom Marcos foi o Auto “Foi posta a mesa”, escrito para o encerramento do congresso eucarístico internacional do Rio de Janeiro neste mesmo ano.
A professora de português do ginásio de Jardinópolis, era a professora Zaíra Rocha, então solteira, que apresentou este auto com seus alunos de ginásio, na porta da matriz daquela cidade. 60 anos se passaram e ainda me lembro, quer de Dona Zaíra, de quem tornei-me amigo, quer deste auto, que me levou alias, na década de 60, modestamente a escrever alguns autos dos quais nem me lembro de alguns nomes: Auto do Vaticano II; auto do Natal; auto sobre a vocação...
No ultimo auto que eu escrevi, foi “ auto das sete igrejas”, apresentado na Cava do Bosque em 1983.
DOM Marcos Barbosa, OSB, nascido Lauro de Araújo Barbosa (Cristina, MG, 12 de setembro de 1915 – Rio de Janeiro, RJ, 5 de março de 1997) foi um monge beneditino brasileiro e padre católico, escritor, poeta e membro da Academia Brasileira de Letras. Nascido em  Minas Gerais, bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Durante a vida universitária, participou intensamente do Centro Dom Vital e da Ação Católica Universitária. Ao concluir o curso de direito, iniciou estudos em literatura classicista, que interrompeu ao entrar para a ordem beneditina em 1940, ordenando-se sacerdote em 1946. Escreveu diversas crônicas em jornais e revistas, mantendo uma coluna semanal no Jornal do Brasil. Tornou-se secretário particular de Alceu Amoroso Lima. Foi tradutor das conhecidas obras: O Pequeno Príncipe, O Menino do Dedo Verde , e Marcelino Pão e Vinho. Manteve um programa de rádio na Rádio Jornal do Brasil, intitulado Encontro Marcado.
Entre suas obras, além do mencionado auto soma-se as seguintes.

·      Teatro (1947)
·      Livro do Peregrino (1955)
·      XXXVI Congresso Eucarístico Internacional (1955)
·      A noite será como o dia: autos de Natal (1959)
·      O livro da família cristã (1960)
·      Poemas do Reino de Deus (1961)
·      Mãe nossa, que estais no céu (sem data);
·      Para a noite de Natal: poemas, autos e diálogos (1963)
·      Para preparar e celebrar a Páscoa: autos, diálogos e fogo cênico (1964)
·      Eis que vem o Senhor (1967)
·      O livro de Tobias (1968)
·      Oratório e vitral de São Cristóvão (1969)
·      Um menino nos foi dado, org. de Lúcia Benedetti. In: Teatro infantil (1974)
·      Manifestações de Autonomia Literária: A Escola Mineira e outros movimentos. In: História da Cultura Brasileira (2 vols., 1973-1976)
·      Arte Sacra (1976)
·      Nossos amigos, os Santos (1985)
·      Congonhas, Bíblia de cedro e de pedra, coautoria com Hugo Leal (1987)
·      Um encontro com Deus: Teologia para leigos (1991)
·      As vinte e seis andorinhas (1991)
·      Poemas para crianças e alguns adultos (1994).

Pena que esse genial poeta e escritor com o Concilio Vaticano II não tenha mais acompanhado a evolução da teologia e da Igreja.
      Alceu Amoroso Lima dizia de si mesmo, “em jovem fora bombeiro; velho, fora incendiário”. O contrario aplica-se a Dom Marcos Barbosa

Digitou esse texto Ricardo Rodrigues de Oliveira, enfermeiro cuidador do autor. 

                  

O REI E O SAPATEIRO (Serie 71, 34°)


            Há cerca de 56 ou 57  anos, um conto de Figueiredo Pimentel me persegue como se fosse uma culpa cometida e irreparável. O autor (Macaé, 1869 – 1914), foi além de poeta, contista, cronista, autor de literatura infantil, tradutor, diplomata e jornalista brasileiro.
            Trata-se de um de seus contos, inserido em um livro escolar do tempo do ginásio.
            Reproduzo-o aqui para que me entendam  minha culpa:

O rei e o sapateiro

Figueiredo Pimentel

Um rei muito bom, dotado de excelente coração, costumava sair sozinho e disfarçado, pelas ruas da cidade, a fim de poder bem apreciar as necessidades do seu povo.
Uma vez, ao passar por uma rua, ouviu alguém cantando:
Ribeiros correm pro rio
Os rios correm pro mar
Quem nasceu para ser pobre
Não lhe vale o trabalhar
O rei parou, observou a casa, e indagou quem nela residia. Era um pobre sapateiro, honesto e trabalhador, cheio de filhos, que vivia na maior miséria possível.
Sua majestade tomou nota do número e da rua.
No dia seguinte mandou preparar pelo seu cozinheiro um saboroso bolo, que encheu de moedas de ouro e fez levá-lo ao sapateiro.
Na outra tarde, passando pela mesma rua, escutou a mesma cantiga:
Ribeiros correm pro rio
Os rios correm pro mar
Quem nasceu para ser pobre
Não lhe vale o trabalhar
O rei entrou e gritou para o sapateiro:
— Esta cantiga é mentirosa, ou tu não dizes o que pensas! Onde está o bolo que te mandei ontem cheio de moedas?
— Oh! real senhor, eu não sabia! Devendo muitos favores a um amigo, enviei-lhe de presente.
Então o rei fê-lo acompanhar ao palácio. Aí, mandou-o encher um saco de ouro, e despediu-o.
O sapateiro voltava alegremente para a casa, quando de súbito caiu morto, fulminado pela comoção.
Transportaram-no para o necrotério, e acharam-lhe um papel na mão.
O delegado de polícia abriu-o e leu:
Eu, para pobre o criei
Tu rico fazê-lo queres
Agora aí o tens morto
Dá-lhe a vida, se puderes

            O que eu contesto no conto de Figueiredo Pimentel é a defesa da resignação ou determinismo social imobilidade do sujeito.
            Lendo o conto ainda adolescente, pensava do meu pobre pai, marceneiro e com seis filhos para criar. Não pensava na riqueza, mas sim, em não passar necessidade. Todo ser humano deveria ter o que comer, o que vestir, ter sua casa, seu trabalho, transporte, ferias, serviços de saúde...
            Enfim, tudo aquilo que consta na declaração Universal dos Direitos Humanos, dos direitos sócias e econômicos etc.
            A culpa que me acabrunhava era a de estar estudando num Seminário e não trabalhando para ajudar meu pai a sair da pobreza. Essa situação me fazia culpado na resignação.
            A minha posição é contra afirmar “quem nasce para ser pobre não lhe vale o trabalhar” as pessoas não nascem para serem pobres, porém, para serem felizes.
            O trabalho, alias, todo o trabalho sempre vale! Não sabe valoriza-lo o capitalista que expropria o trabalhador de sua força e devolve-lhe migalhas...
O assunto continua no contexto global de hoje, quando temos um Papa que é injustamente chamado de comunista, por defender justamente a dignidade humana, os direitos do trabalhador e que o mundo de hoje precisa de uma saída, de uma terceira via para torna-lo melhor.

Digitou esse texto Ricardo Rodrigues de Oliveira, enfermeiro cuidador do autor. 
                  


O SÍNODO DIA-A-DIA (5) - (Serie 71, 33°)


            Na tarde de hoje,  dia 8 de outubro, quinta feira, concluíram-se o trabalho dos círculos menores.
            No briefing diário na Sala de Imprensa da Santa Sé, o diretor Federico Lombardi esclareceu que o Papa na sua intervenção de terça-feira 6, tinha convidado a ter confiança uns nos outros. Dado que o processo sinodal se realiza em plena liberdade não devemos pensar que haja conspirações ou pessoas que procuram manipular disse. Em relação ao clima que se respira interveio o cardeal Edoardo Menichelli, moderador de um dos dois círculos de grupo linguístico italiano: este – disse – é um sínodo de povo que recolhe o trabalho de dois anos. Um confronto aberto e fraterno sobre todo este material[1]



Digitou esse texto Ricardo Rodrigues de Oliveira, enfermeiro cuidador do autor. 










[1] L`Osservtore Romano 08/10/2015