OS
PIAUIENSES
O
taxista não funciona apenas como terapeuta porque escuta problemas pessoais.
Ele funciona, também, como uma caixa de ressonância dos problemas do país, do
estado, do município e das situações de trabalho, de habitação, de saúde, de
transporte etc, etc, etc, que os passageiros sentem e lhe revelam sem pudor.
João Luís e outro taxista, foram
chamados a buscar uma família na praça de um bairro bem popular de Ribeirão
Preto. Um carro pegou duas senhoras e duas crianças, mais algumas malas. João
Luís pegou apenas um homem e muitas malas.
Quando João Luís perguntou ao seu
passageiro, para onde ia, ele respondeu:
- Pra
rodoviária.
- E,
desculpe a pergunta: vocês vão viajar para onde?
- Prô
Piauí!
- Nossa! E quanto tempo de viajem?
- Moço,
70 horas de viajem.
- De
ferias?
João
Luís percebeu que estavam chegando na rodoviária, desejou uma boa viajem e boa
estadia na terra deles. Ficou triste com o relato espontâneo da situação dos
trabalhadores da construção civil, relatada pelo seu passageiro, afinal,
estamos longe do Brasil que queremos, e há muito a fazer
para que as situações melhorem!
Digitou esta crônica: Ricardo Rodrigues de Oliveira (enfermeiro e cuidador do Autor).
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